A Bíblia não se verga à ditadura do “politicamente correcto”. Se nos sentimos seduzidos pela pregação da “igualdade e tolerância”, começar pelo Salmo 1 pode assustar… Nesta estrada só há duas vias que circulam em sentidos contrários — e no último versículo as casas de chegada não podiam ser mais diferentes.
De facto, não há espaço para outro Evangelho. A pregação de cinzentos indistintos, onde certo e errado se diluem, é apenas fermento para uma rebelião contra o Eterno.
Depois de abençoar quem se desvia do mal (“não andar, parar ou sentar” em areias movediças — v.1), o texto salta para o prazer em Deus e na Sua Lei (v.2) — só faz sentido fugir do mal se for para correr para o bem! Depois vêm os frutos das escolhas feitas: árvore viva ou palha morta (v.3-5). No último versículo deste Salmo lemos o resumo de tudo isto. São palavras que podem não agradar, mas com poder real para salvar.
1. O que os homens querem misturar, Deus vem separar
Podemos inventar uma multidão de nomes diferentes, mas na Bíblia temos apenas dois apelidos: “justo” ou “ímpio”. A nossa mania da pluralidade é resolvida pela simplicidade do veredicto de Deus. Ao “encolher” as alternativas para dois caminhos apenas, Deus reduz realidades eternas à altura dos nossos olhos para nos conduzir sem desvios.
Porque não há altares vazios: ou temos prazer na lei de Deus, ou o nosso contentamento bebe de outra fonte. Ao rejeitar a dicotomia do Salmo 1, acabamos incapazes de discernir certo e errado. A lei de Deus separa o profano do divino para nos acender a luz.
2. Os cristãos são “conhecidos” antes de “conhecerem”
O salmo não declara o contrário de “um caminho que perece” como “viver para sempre”, mas como “ser conhecido por Deus”. Isto vai muito além da omnisciência divina. Significa ser amado, cuidado e aprovado por Deus.
Ser conhecido por Deus acontece uma eternidade antes de a justiça acontecer em nós. O que somos depende daquilo que Deus faz — Ele escolheu-nos e não o inverso — e é isso que torna possível o caminho da justiça.
3. Somos justos sem sermos bons
A Bíblia — e os Salmos em particular — não nos ilude a respeito da natureza humana. A maldade corre-nos nas veias e não há diálise para isso. Na leitura com crianças, o caminho fácil é escorregar no mérito do bem que fazemos. Para elas (e às vezes para nós) os maus estão sempre do lado de fora!
Mas cabe-nos a oportunidade de lhes mostrar que do lado de dentro o único bem que existe é mérito de Cristo. Mas se somos pecadores, como podemos ser justos ao mesmo tempo? A justiça do Evangelho tem mais a ver com dádiva do que com conquista, mais com fé do que com actos — ainda que os actos sejam consequência inevitável de uma fé genuína.
E no centro da fé está Cristo. É n’Ele que pecadores são declarados justos, e é por Ele que a vida se torna possível.
Oração:
Senhor, obrigado pela cruz colocada no caminho dos ímpios — na morte do Teu Filho nasceu um caminho novo! Ajuda-nos a percorrer a estrada dos justos até ao fim e não desistas de nós quando pisarmos atalhos sombrios.
