Todos os anos, a organização Portas Abertas publica a Lista Mundial da Perseguição (LMP), um levantamento com os 50 países onde os cristãos enfrentam os níveis mais graves de perseguição por causa da fé. A edição de 2026 traz um retrato duro, mas necessário, da realidade vivida por milhões de irmãos e irmãs ao redor do mundo — e nos convida a orar, agir e não esquecer.
Um em cada sete cristãos é perseguido
Segundo o levantamento, mais de 388 milhões de cristãos em todo o mundo são perseguidos ou discriminados por causa da fé em Jesus. Na prática, isso significa que 1 em cada 7 cristãos vive sob algum tipo de opressão religiosa — seja em forma de violência física, prisão, exclusão social ou perseguição estatal.
Os números da edição mais recente (outubro de 2024 a setembro de 2025) mostram a dimensão do sofrimento:
- 4.849 cristãos mortos por questões relacionadas à fé
- 67.843 casos de violência física e psicológica, incluindo ameaças de morte
- 5.202 casos de violência sexual ou casamento forçado com não cristãos
- 4.712 cristãos presos, condenados ou detidos sem julgamento
Embora alguns desses números tenham recuado ligeiramente em relação ao ano anterior, a violência física e psicológica contra cristãos voltou a crescer, atingindo o maior patamar já registrado nos últimos três anos.
O que há de novo na LMP 2026
Nesta edição, 15 países atingiram o nível de perseguição extrema — o mais alto da escala. Dois destaques chamam atenção:
- A Síria entrou pela primeira vez no Top 15, saltando da 18ª para a 6ª posição, o nível mais alto de perseguição já registrado no país. Os ataques a igrejas têm levado muitos cristãos a fugir.
- O Mali também estreou entre os 15 primeiros, na 15ª posição, com igrejas incendiadas e comunidades inteiras deslocadas por grupos extremistas.
Outro dado relevante: o Nepal voltou à lista após três anos de ausência, ocupando a 46ª posição, com aumento de prisões, abusos e ataques a igrejas.
Top 15 | Países com perseguição extrema
- Coreia do Norte — cristãos descobertos são enviados a campos de trabalho forçado.
- Somália — deixar o islamismo é visto como traição à identidade nacional.
- Iêmen — dividido pela guerra civil, nenhum dos poderes locais tolera cristãos.
- Sudão — o conflito armado abriu espaço para mais ataques de grupos extremistas.
- Eritreia — jovens cristãos são recrutados ao serviço militar por tempo indeterminado.
- Síria — ataques a igrejas provocaram uma onda de deslocamento de cristãos.
- Nigéria — o país onde mais cristãos são mortos no mundo.
- Paquistão — igrejas são monitoradas e alvo de ataques a bomba.
- Líbia — cristãos estrangeiros são alvo de sequestros e execuções por grupos extremistas.
- Irã — converter-se ao cristianismo é crime, com risco de prisão e perda da guarda dos filhos.
- Afeganistão — a conversão é punida com morte pela lei islâmica.
- Índia — extremistas hindus atacam igrejas domésticas e comunidades cristãs.
- Arábia Saudita — famílias inteiras escondem a fé por medo de represálias.
- Mianmar — desde o golpe militar de 2021, cristãos enfrentam mais violência e restrições.
- Mali — igrejas incendiadas forçam comunidades cristãs a fugir.
Além desses, outros 35 países — entre eles China, Iraque, Argélia, Cuba, México, Colômbia e Turquia — também enfrentam perseguição severa contra cristãos.
Vozes da igreja perseguida
Por trás de cada número há uma história real. Como a de Samir, pai de um jovem cristão líbio decapitado por extremistas, que mesmo diante da dor declarou:
“Meu filho é um mártir por Jesus, e isso é uma bênção. Eu oro por aqueles que o mataram, para que possam ver a verdade e seguir a luz.”
Ou o testemunho de Enock, pastor deslocado no Mali, que pede oração para que sua igreja volte a se reunir em paz. São vidas que nos lembram que, em muitos lugares do mundo, seguir a Jesus continua sendo — como descreve a própria Portas Abertas — um ato de fé e coragem.
Como podemos ajudar
A Portas Abertas resume em três palavras o que cada um de nós pode fazer pela igreja perseguida:
- Interceder — orar diariamente, pois o primeiro pedido dos cristãos perseguidos costuma ser justamente “orem por nós”.
- Doar — sustentar os projetos de socorro que chegam até essas comunidades.
- Encorajar — envolver-se em ações como o DIP (Dia Internacional de Oração pela Igreja Perseguida) e o envio de cartões de apoio.
Uma palavra final
A Lista Mundial da Perseguição 2026 não é apenas um relatório de estatísticas — é um chamado à igreja livre para não esquecer daqueles que pagam um preço alto por sua fé. Que estes números nos movam à oração e à ação, lembrando que fazemos parte do mesmo corpo, mesmo separados por fronteiras, línguas e continentes.
“Se um membro sofre, todos sofrem juntos; e, se um membro é honrado, todos se alegram juntos.” (1 Coríntios 12:26)
Fonte: Portas Abertas — Lista Mundial da Perseguição 2026. Saiba mais em portasabertas.org.br/lista-mundial
