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Amor de Deus

O Deus Amigo — A Lição de Jonas

Aldo Silva

O Deus Amigo — A Lição de Jonas

Jonas é o quinto dos profetas menores — menores não em importância, mas porque os seus livros são mais curtos do que os dos profetas maiores. Deus, por vezes, tem pressa. Certa vez, Jesus cuspiu no chão, fez lodo, colocou-o nos olhos de um cego de nascença e mandou-o lavar-se; só depois ele passou a ver. Noutra ocasião, bastou-Lhe dizer: “quero, sê são.”

Há momentos em que Ele deixa morrer, ser sepultado, cheirar mal — para depois ressuscitar. Outras vezes traz a cura ainda durante a enfermidade. Seja na espera, seja no repente, o convite é sempre o mesmo: espera n’Ele.

Os livros proféticos mostram que Deus expressa a Sua vontade e depois age — e que essa ação tanto pode ser urgente como paciente.

Um profeta histórico, não uma alegoria

Há quem defenda que o livro de Jonas é apenas uma alegoria. No entanto, de acordo com 2 Reis 14:25, Jonas foi profeta oficial de Gate-Héfer, localidade próxima de Nazaré. Ainda em 2 Reis, ele está associado ao reinado de Jeroboão II, 13º rei de Israel, a quem profetizou a restauração do reino do norte.

O nome Jonas significa “pomba”.

Deus fala com Jonas como um amigo

Em Jonas 1:2, Deus fala com intimidade — como um amigo fala com outro amigo. Há coisas que Deus só partilha com quem já é Seu amigo. E Deus já tinha esse relacionamento com Jonas: tinha-o usado para profetizar a restauração de Israel. Agora tinha uma nova missão para ele — clamar contra Nínive.

Por volta de 700 a.C., o rei Senaqueribe transformou Nínive na capital da Assíria. Em Jonas 1:2, Deus fala da maldade de Nínive, que subiu até Ele — tanto a adoração como o pecado sobem até Deus.

A cidade vivia uma idolatria extrema e uma crueldade brutal com os prisioneiros de guerra. Os assírios eram inimigos históricos de Israel, um povo profundamente militarizado, que dava ênfase à arte da guerra — incluindo execuções, empalamento, decapitação e remoção da pele de prisioneiros vivos. Isto talvez explique o receio de Jonas em pregar naquela cidade.

Ainda assim, precisamos de crer que a palavra de Deus tem poder para transformar pessoas, por mais improvável que pareça. Todos, em algum momento, fomos esse “improvável”. Como diz a Escritura:

“Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes” — 1 Coríntios 1:27 (ACF)

Jesus, o bom amigo

Deus diz a Jonas: “Dispõe-te e vai até Nínive.” E ele levanta-se — para fugir. Não podemos fugir dos projetos de Deus. Ainda que não entendamos, Ele chama quem sabe que pode contar.

Deus chama os Seus amigos:

“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.” — João 15:14 (ACF)

Um amigo é alguém com quem se tem uma relação de afeto, confiança, companheirismo e apoio mútuo — lealdade, respeito, sinceridade, capacidade de partilhar alegrias e tristezas sem julgamento, liberdade de ser quem se é.

Em Êxodo 33:11 e 17, Moisés era íntimo de Deus e queria ver o seu amigo. No deserto, viu-O em parte; na transfiguração, viu Jesus como Ele é (Mateus 17:1-4).

Jonas entristeceu o seu amigo — mudou a sua relação com Deus. Até que ponto queremos, nós próprios, ser amigos de Deus? Foi através de Jesus Cristo que Deus Se tornou amigo pessoal do homem. E o inimigo da nossa alma facilita tudo para que nos afastemos d’Ele.

A fuga e a tempestade

Jonas encontrou um navio que ia para Társis. Havia vaga. Tinha dinheiro para pagar a passagem. Tudo parecia correr bem para se afastar do seu amigo.

Em meio à tempestade, os homens começaram a lançar os seus pertences ao mar — mas não é pela força do nosso braço que vencemos as nossas lutas. Para isso, é preciso aproximarmo-nos do amigo Jesus.

Jonas foi dormir em meio à grande tempestade, como quem desiste de lutar contra Deus. Não aceitar o chamado, as escolhas, o propósito d’Ele para a nossa vida é, no fundo, lutar contra Ele. Nesse momento, Jonas pede para ser lançado ao mar. A tempestade cessa. A tripulação converte-se ao testemunhar a ação de Deus na vida do profeta.

As pessoas à nossa volta precisam de ver a manifestação de Deus nas nossas vidas — é assim que se aproximam d’Ele. Mas Deus não abandona os Seus servos, ainda que estes O abandonem.

O grande peixe: guarda, não apenas castigo

Deus prepara um grande peixe para engolir Jonas — na verdade, para o guardar. As formas como Deus guarda os Seus servos raramente são convencionais.

Deus permitiu que Golias se levantasse para evidenciar Davi, Seu amigo. Permitiu um espírito maligno para atormentar Saul, para que Davi entrasse no palácio que um dia seria seu.

Jonas desiste de desistir e compromete-se, de novo, com Aquele que sempre foi seu amigo.

De volta ao plano original

Em Jonas 3:1-3, Jonas prega em Nínive — o lugar que Deus sempre quis para ele. Devemos permanecer nos planos de Deus, por mais que, muitas vezes, não os compreendamos. É melhor obedecer do que sacrificar (1 Samuel 15:22). Voltemos ao plano original.

Deus não considera o tempo da ignorância. Não traz o passado de volta quando há arrependimento genuíno. O amigo fiel mostra isso ao salvar uma cidade que se arrependeu e reconheceu n’Ele o caminho.

Deus é o amigo do oprimido e o consolador do arrependido.